Virgínia restringe data centers e cria força-tarefa de IA

Postado em 18/09/2026 às 17:25:22

A governadora da Virgínia, Abigail Spanberger, emitiu uma diretriz executiva histórica para redefinir o ritmo e a governança da expansão tecnológica no estado, amplamente reconhecido como o principal polo global de data centers. A medida busca equilibrar o crescimento acelerado da infraestrutura de nuvem e inteligência artificial com as demandas das comunidades locais por maior transparência e controle regulatório.

O documento central dessa mudança é a Ordem Executiva 22, que impõe restrições severas à atuação de funcionários do poder executivo em negociações corporativas. A partir de agora, está terminantemente proibida a assinatura de acordos de confidencialidade, conhecidos como NDAs, que envolvam o planejamento, zoneamento ou subsídios para a instalação de novos centros de dados no território estadual.

Essa proibição de acordos de sigilo visa combater a falta de transparência que historicamente marcou a chegada de grandes corporações de tecnologia à região. Ao eliminar as cláusulas de confidencialidade, o governo estadual pretende empoderar autoridades locais, permitindo que conselhos municipais e cidadãos tenham acesso antecipado e detalhado aos impactos socioambientais e à infraestrutura necessária para suportar esses complexos.

Além da questão do zoneamento, a ordem estabelece a criação imediata de uma força-tarefa multidisciplinar voltada exclusivamente para a inteligência artificial. O grupo terá a missão de formular diretrizes éticas, técnicas e de segurança para o uso de IA no setor público, além de avaliar de que maneira o boom dos modelos de linguagem e aprendizado de máquina impactará a matriz energética do estado.

O crescimento exponencial de data centers na Virgínia — impulsionado principalmente pelo norte do estado, onde se concentra a maior parte do tráfego mundial de internet — tem gerado gargalos severos na rede elétrica local. Provedores de energia têm alertado sobre a pressão sem precedentes na demanda por megawatts, o que obriga o governo a desacelerar novas aprovações até que a infraestrutura física consiga acompanhar a escala da inovação.

Especialistas da indústria apontam que a decisão da Virgínia pode servir como um precedente regulatório para outros estados americanos que lidam com o mesmo dilema tecnológico. Enquanto gigantes da tecnologia buscam expandir rapidamente seus clusters de servidores para treinar modelos avançados de IA, governos locais começam a priorizar a sustentabilidade da rede elétrica e a participação pública em detrimento da velocidade de aprovação.


Autor/Fonte: Equipe WEB-RS

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